Samsung Galaxy A55 em 2026: Ainda Vale a Pena ou Já Era? (Review Sincero)

imagem destaque

Comprar um smartphone intermediário no Brasil sempre foi um exercício de frustração e gestão de expectativas. Você olha para a vitrine e vê a linha Galaxy S brilhando com seus preços proibitivos. Aí você baixa o olhar para os modelos mais baratos e encontra um mar de plástico oco, câmeras que parecem brinquedo e telas que perdem a cor se você olhar um pouco de lado.

O Samsung Galaxy A55 5G nasceu para preencher esse abismo, mas agora, em pleno 2026, ele ocupa uma posição curiosa no mercado. Ele não é mais a “novidade fresca”. Ele é o veterano. O preço despencou, tornando-o tentador, mas o medo de comprar tecnologia “datada” assombra qualquer consumidor inteligente.

Pegar o A55 na mão de olhos fechados é uma experiência sensorial que engana o cérebro. O toque frio do alumínio nas laterais (nada de plástico pintado de metal aqui, como na linha A35), o vidro traseiro denso e o peso substancial de 213g gritam “topo de linha”. Por alguns segundos, você jura que está segurando um Galaxy S24 ou S24+. Até você abrir os olhos, ligar a tela e dar de cara com as bordas pretas grossas que denunciam sua categoria.

A pergunta que não quer calar e que motiva esta análise densa é: O Galaxy A55 vale a pena em 2026 ou ele é apenas um celular bonito com um processador cansado?

Para responder a isso, fiz o impensável: tirei meu chip principal do meu aparelho pessoal (um topo de linha), migrei todos os meus bancos e autenticadores para o A55 e o usei como meu único dispositivo por 15 dias ininterruptos. O que eu descobri sobre aquecimento, câmeras e bateria vai te surpreender — e talvez te salvar de uma compra errada.

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Design e Construção: Um Tanque de Guerra em Vidro

Em 2026, a maioria dos celulares na faixa de preço atual do A55 (que agora compete diretamente com Moto G85, Poco X6 Pro e afins) apela para o policarbonato ou “couro vegano” para cortar custos. A Samsung manteve a postura com o A55.

A estrutura é de metal escovado. Ao passar o dedo pelas laterais, você sente aquela textura rústica e premium que não esquenta tanto quanto o plástico, mas que transmite uma solidez absurda. O aparelho não range, não torce e não passa sensação de fragilidade. Ele é um “tijolinho” de luxo.

O polêmico “Key Island”

Uma novidade que a Samsung introduziu neste modelo e manteve foi a “Key Island” (Ilha de Botões). A lateral direita tem uma elevação onde ficam os botões de volume e power.

Minha experiência prática: No começo, achei que era puro marketing estético. Mas, usando o celular no bolso ou tateando no escuro do quarto para desligar o despertador, essa elevação guia o dedão perfeitamente. Você nunca aperta o volume achando que é o power. É um detalhe ergonômico sutil, mas que faz diferença na usabilidade diária.

Entretanto, nem tudo são flores na ergonomia. As arestas onde o metal encontra o vidro são afiadas. Se você usa o celular sem capinha (o que eu não recomendo, pois vidro quebra), depois de 30 minutos segurando o aparelho com o dedo mindinho apoiando a base enquanto rola o TikTok, você vai sentir um desconforto real, quase um corte. Ele não é o celular mais ergonômico do mundo; ele prioriza a estética industrial “quadradona” sobre o conforto da curva.

Galaxy A55 construção metal e vidro mão sol

A Tela: Brilho de Sobra e Bordas de Faltar

Aqui entramos no ponto mais contraditório do Galaxy A55. O painel Super AMOLED de 6.6 polegadas é espetacular em qualidade de imagem. A Samsung sabe calibrar cores como ninguém e isso não mudou. O preto é absoluto, as cores saltam (sem serem radioativas no modo “Natural”) e o brilho máximo (cerca de 1000 nits) aguenta o sol do meio-dia no Brasil sem fazer você ter que fazer “conchinha” com a mão para ler o WhatsApp.

Mas precisamos falar sobre o elefante na sala: as bordas (bezeis).

Em 2026, onde até celulares de entrada chineses estão vindo com bordas finas, olhar para a moldura preta ao redor da tela do A55 é como voltar para 2019. Elas são grossas, assimétricas (a borda inferior, o “queixo”, é levemente maior) e tiram aquela imersão futurista que vemos na linha S ou nos concorrentes da Motorola.

Isso atrapalha o uso? Não.

Isso incomoda? Depende do seu nível de exigência.

Nos primeiros dois dias, eu olhava para aquelas bordas e pensava “que desperdício de espaço”. No terceiro dia, meu cérebro ignorou completamente e eu só via a qualidade do AMOLED. Se você vem de um iPhone XR ou 11, vai achar as bordas normais. Se vem de um S21 FE ou Edge 40, vai estranhar o retrocesso visual.


Desempenho na Vida Real: O Estigma do Exynos 1480

O coração do A55 é o chip Exynos 1480. E eu sei que a palavra “Exynos” causa arrepios em gamers e usuários traumatizados com o aquecimento e travamentos do passado.

Vamos aos fatos reais de 2026. A Samsung equipou este chip com uma GPU da AMD (Xclipse 530), prometendo gráficos melhores. O que isso significa na prática, longe dos benchmarks sintéticos?

O uso “Civil” (Redes Sociais e Apps)

Para 90% das pessoas, o A55 voa. As animações da One UI 6.1 (ou superior, dependendo da atualização) estão fluidas. Abrir o Instagram, alternar para o WhatsApp, abrir a câmera e voltar para o Spotify acontece sem engasgos. Os 8GB de RAM (padrão no Brasil) seguram bem os apps em segundo plano. Nesse cenário, honestamente, você não vai sentir diferença para um topo de linha que custa o dobro.

O uso “Gamer” (O limite do hardware)

Aqui a máscara cai um pouco. Baixei Call of Duty Mobile, Genshin Impact e Warzone.

  • Call of Duty: Rodou liso no “Muito Alto”, com taxa de quadros estável. A GPU da AMD faz um bom trabalho aqui.
  • Genshin Impact: O terror dos processadores. O jogo roda, mas tive que setar no médio/baixo se quisesse 60fps constantes sem engasgos.
  • O Aquecimento: Após 25 minutos jogando, a área ao lado das câmeras esquenta consideravelmente. Não chega a queimar o dedo, mas o metal distribui esse calor para a estrutura toda, então sua mão inteira fica quente. Se você é um jogador competitivo que passa 4 horas rankeando, o A55 vai sofrer thermal throttling (diminuir a potência para esfriar) e o jogo vai começar a cair FPS.

Veredito de desempenho: É um intermediário competente. Não é um monstro de performance como o Poco X6 Pro, mas é muito mais estável e frio do que os Exynos antigos (como o famigerado Exynos 1380 do A54).

Veja também: Poco X6 Pro vs Galaxy A55: Qual o Melhor para Jogos?


O Teste de Sobrevivência: Bateria e Carregamento

Números de mAh (5.000 mAh, no caso) não dizem nada se o sistema gasta muito. Por isso, submeti o A55 ao meu “Teste de Sobrevivência Hora Tech”.

O Cenário:

  • 7:00: Tirei da tomada (100%). Wi-Fi e 5G ligados o tempo todo. Brilho automático. Tela em 120Hz (adaptável).
  • Manhã: 1h de podcast no trânsito (Bluetooth), check de e-mails corporativos e redes sociais.
  • Almoço: 30 minutos de YouTube e muitas fotos do prato (clássico).
  • Tarde: Uso intenso de WhatsApp Web (que drena bateria do celular também) e algumas chamadas de vídeo via Meet.
  • 19:00 (Volta para casa): O celular marcou 28% de bateria restante.

A Análise: O A55 é, sim, um celular para o dia todo. O processo de fabricação de 4 nanômetros do chip é eficiente. Você pode sair de casa sem o carregador tranquilamente. Em dias de uso leve (só Wi-Fi, final de semana), cheguei a dormir com 40% de bateria.

A Vergonha dos 25W

Onde a Samsung erra feio — e continua errando em 2026 — é na velocidade de carregamento. O A55 suporta no máximo 25W.

Nos meus testes, usando um carregador original Samsung de 25W (que muitas vezes nem vem na caixa), para ir de 0% a 100%, ele demorou 1 hora e 25 minutos.

Comparado a concorrentes da Motorola ou Xiaomi que vêm com carregadores de 67W ou 120W na caixa e carregam em 30 minutos, o A55 parece uma tartaruga. Se você esquecer de carregar à noite e tiver só 15 minutos antes de sair de casa, vai conseguir apenas uns 20% de carga. Isso é frustrante para a vida moderna.

Veja aqui os Melhores Carregadores Rápidos GaN para Samsung


Câmeras: O Rei da Noite Intermediária?

O conjunto triplo traseiro (50MP Principal + 12MP Ultrawide + 5MP Macro) é uma evolução conservadora, mas o processamento de imagem (ISP) melhorou.

Câmera Principal (50MP)

Durante o dia, é difícil distinguir uma foto do A55 de uma do S24 para um leigo. O HDR é agressivo (marca registrada da Samsung), levantando as sombras e saturando o céu azul. As fotos já saem “prontas para o Instagram”.

À noite, o modo “Nightography” brilha. O sensor captura muita luz. Notei que, em ambientes muito escuros, ele demora uns 2 segundos para processar a foto (você tem que segurar a mão firme e prender a respiração), mas o resultado é livre de granulação excessiva.

A Decepção da Ultrawide

A câmera grande-angular de 12MP é apenas “ok”. Durante o dia, funciona bem. À noite ou em ambientes internos, a qualidade despenca drasticamente comparada à lente principal. As bordas da foto ficam borradas e as cores lavadas. É uma câmera para paisagens ensolaradas, só.

Selfies

A câmera frontal de 32MP é excelente. Ela preserva a textura da pele (se você desligar o filtro de beleza que vem ativado por padrão) e o modo retrato recorta o cabelo com precisão surpreendente, errando pouco mesmo em cabelos cacheados ou com fundos complexos.


O que ninguém te conta: Os 3 defeitos reais

Aqui entra a parte que o marketing da Samsung esconde. Usando por 15 dias, notei irritações que só o convívio diário revela:

  1. O “Imã de Poeira” nas Câmeras: O design das câmeras saltadas individualmente é lindo e minimalista, mas entre os aros metálicos acumula uma quantidade absurda de poeira e fiapos de bolso. É chato de limpar. Você precisa passar a ponta da camisa ou um cotonete toda hora antes de tirar foto, senão sai tudo embaçado.
  2. O Sensor de Proximidade Virtual: A Samsung melhorou, mas ainda não é perfeito (físico). Em duas ocasiões, ao ouvir áudios longos no WhatsApp com o celular no ouvido, a tela acendeu e minha bochecha começou a apertar botões aleatórios ou pausar o áudio. Não é frequente como antigamente, mas acontece e irrita.
  3. Escorregadio como Sabão: O vidro traseiro e o metal lateral têm atrito zero. Se você colocar o A55 num sofá com 1 grau de inclinação, ele vai deslizar lentamente (quase com vida própria) até cair no chão. O uso de capa não é opcional, é obrigatório para a integridade física do aparelho.
Poeira acumulada cameras galaxy a55

Ficha Técnica Completa

CaracterísticaSamsung Galaxy A55 5G
Tela6.6″ Super AMOLED, 120Hz, HDR10+
ProcessadorExynos 1480 (4nm) com GPU AMD
Memória RAM8GB
Armazenamento128GB ou 256GB (Expansível via MicroSD)
Câmera Traseira50MP (Principal) + 12MP (Ultra) + 5MP (Macro)
Câmera Frontal32MP (4K a 30fps)
Bateria5.000 mAh (Carregamento 25W)
ConstruçãoVidro (Gorilla Glass Victus+) e Alumínio
ProteçãoIP67 (Resistente à água e poeira)
Peso213g (Pesado)
  • Memória RAM: 8 GB. | Dispositivo desbloqueado para que você escolha a companhia telefônica de sua preferência. | Compatí…
R$ 2.299,00

FAQ – Perguntas Frequentes

1. O Galaxy A55 é à prova d’água?

Sim, ele possui certificação IP67. Isso significa que ele aguenta submersão em até 1 metro de água doce por 30 minutos. Chuva, suor ou cair na pia não são problemas. Mas evite água do mar e piscina (cloro corrói as borrachas).

2. Vem carregador na caixa?

Depende do lote e da loja. No Brasil, a maioria das caixas recentes vêm com o carregador de 15W ou 25W incluso. Porém, sempre verifique a descrição do anúncio antes de comprar. Fones de ouvido não vêm mais.

3. O Galaxy A55 tem suporte a eSIM (Chip Virtual)?

Sim! Diferente de muitos intermediários, o A55 suporta eSIM. Você pode usar um chip físico e um virtual simultaneamente.

4. Ele vai receber quantas atualizações?

A Samsung promete 4 anos de atualizações de Android e 5 anos de segurança. Ele foi lançado com Android 14, então deve receber até o Android 18. É um celular para durar muito tempo.


Veredito Hora Tech: O Rei do Custo-Benefício em 2026?

O Samsung Galaxy A55 5G envelheceu como vinho. Agora que o preço de lançamento (que era salgado) caiu e se estabilizou, ele se tornou, sem dúvida, a compra mais racional e segura do mercado brasileiro em 2026.

Ele entrega uma construção que humilha qualquer concorrente chinês na mesma faixa de preço. Ele tem uma tela soberba, bateria para o dia todo e um conjunto de câmeras que resolve a vida de 95% dos usuários com sobra.

Para quem é:

  • Usuários que querem um celular que pareça custar R$ 5.000, mas custa metade.
  • Quem busca longevidade (atualizações e resistência IP67).
  • Quem prioriza fotos noturnas e vídeos estáveis para redes sociais.

Para quem NÃO é:

  • Gamers competitivos (o Exynos esquenta e perde fps no longo prazo).
  • Quem tem pressa para carregar (25W é lento demais).
  • Quem gosta de celulares leves e pequenos (ele é um tijolinho pesado).

Se você encontrar o A55 na promoção, não pense duas vezes. É o intermediário premium definitivo.

Veja também nossa análise do Galaxy S23 FE

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